GILBERTO FREYRE


"(...) Parece que nos halláramos a nosotros mismos... Y recuerda cosas que no supimos jamás, pero que estaban allí, dentro de nosotros."
Gilberto Freyre
Recife-Brasil, 1900- 1987


TRISTEZA DOS MOSTEIROS ADOÇADA


Tristeza dos mosteiros com seus monges
velhos a meditar no alo dos montes
compensada pela alegria das repúblicas
dos estudantes
dos sobrados das ladeiras.
A gravidade do latim cantado
nos conventos adoçado à noite
pelo som das modinhas das serenatas,
na velha Olinda com os seus doutores,
seus cônegos, seus frades e estudantes.

LITORAL

Praias cheias de mucambos de palha
Rio Tapado, Rio Doce, Quadro, Conceição,
Praia do Janga, Pau-Amarelo.
Principalmente Pau-Amarelo
onde desembarcaram os holandeses. 

HISTÓRIA SOCIAL:
MERCADOS DE ESCRAVOS 

Entre negros esverdeados
pelas doenças, se exibiam
os corpos de bela plástica
dos animais cujos dentes
de tão alvos pareciam
de dentadura postiça.
Negras lustrosas e moças,
um femeaço de boas
formas, lotes de melecas
passivamente deixando
se apalpar por compradores,
ante as exigências, moles,
saltando, mostrando a língua,
estendendo o pulso como
bonecos desses que guincham.
Havia ainda os moleques
franzinos. Nada valiam
porque se davam de quebra
aos compradores de "lotes".


JANGADA TRISTE






Ao longe, mui longe, no horizonte,

além, muito além daquele monte,

como ave que voa desdenhada,

flutua tristemente uma jangada.




Nos zangados soluços do oceano,

quase desaparece o canto humano

de quem no mar e céu inda confia

porque em terra tudo lhe é melancolia.




Isso de terra firme e mar traiçoeiro




nem sempre é certo para o jangadeiro

mais preso ao fiel sal que à incerta areia.




Mistura ao grande azul as suas mágoas

e encontra no vaivém das verdes águas

consolo às negras dores cá da terra.




No hay comentarios:

Publicar un comentario en la entrada