ARIANO VILAR SUASSUNA


"El optimista es un tonto. El pesimista, aburrido. Bueno es ser una esperanza realista."
Ariano Suassuna
João Pessoa-Brasil, 1927

LÁPIDE


Com tema de Virgílio, o Latino, 
e de Lino Pedra-Azul, o Sertanejo 

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo 
nas pedras do meu Pasto incendiado: 
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado, 
com a Espora de ouro, até matá-lo. 

Um dos meus filhos deve cavalgá-lo 
numa Sela de couro esverdeado, 
que arraste pelo Chão pedroso e pardo 
chapas de Cobre, sinos e badalos. 

Assim, com o Raio e o cobre percutido, 
tropel de cascos, sangue do Castanho, 
talvez se finja o som de Ouro fundido 

que, em vão – Sangue insensato e vagabundo — 
tentei forjar, no meu Cantar estranho, 
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo! 

O AMOR E A MORTE



Com tema de Augusto dos Anjos 

Sobre essa estrada ilumineira e parda 
dorme o Lajedo ao sol, como uma Cobra. 
Tua nudez na minha se desdobra 
— ó Corça branca, ó ruiva Leoparda. 

O Anjo sopra a corneta e se retarda: 
seu Cinzel corta a pedra e o Porco sobra. 
Ao toque do Divino, o bronze dobra, 
enquanto assolo os peitos da javarda. 

Vê: um dia, a bigorna desses Paços 
cortará, no martelo de seus aços, 
e o sangue, hão de abrasá-lo os inimigos. 

E a Morte, em trajos pretos e amarelos, 
brandirá, contra nós, doidos Cutelos 
e as Asas rubras dos Dragões antigos. 

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